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sábado, 15 de fevereiro de 2025

A insustentável leveza do desastre

 Lula já foi chamado de muitas coisas: operário, messias, injustiçado, salvador da pátria. Hoje, é apenas um fardo. Um fardo pesado, caro e sem manual de instruções. Sua popularidade, outrora sustentada por promessas e slogans reciclados, despenca mais rápido que o real diante de qualquer oscilação do mercado. Os números falam por si: 24% ainda insistem em acreditar, talvez por hábito, talvez por teimosia. O resto do país já percebeu o óbvio: o governo é um fiasco.

O fenômeno seria cômico, não fosse trágico. A economia está em frangalhos, o dólar faz festa, a inflação manda lembranças e, no meio do caos, o presidente segue sua rotina habitual de culpados terceirizados. O problema nunca é dele. É da "herança maldita", do Congresso, da elite, do clima, de Marte, de Plutão. Só falta culpar a astrologia por seu desastre econômico. Enquanto isso, o brasileiro tenta pagar uma conta de supermercado que aumenta mais rápido do que discurso de político em campanha.

Mas não sejamos injustos. Lula não está sozinho nessa epopeia de incompetência. Sua musa, Janja, prova que ser primeira-dama no Brasil não exige mais do que um cartão de embarque na primeira classe e um talento especial para fingir relevância. De hotéis cinco estrelas a agendas de puro folclore, sua gestão como "primeira-turista" do país está cada vez mais impopular. Descobriram que ela serve para tanto quanto uma nota de três reais: circula muito, mas não tem valor algum.

A solução? O governo aposta na comunicação, como se uma boa edição de vídeo fosse capaz de baratear o arroz e o feijão. Não será. Pode-se maquiar estatísticas, manipular manchetes e distribuir promessas como quem joga pão a pombos. Mas o brasileiro sente no bolso aquilo que a propaganda tenta esconder. E, por mais que Lula e sua trupe queiram transformar narrativa em realidade, o preço do café continua a desafiar o melhor dos marqueteiros.

Dois anos restam. E o que fazer? O impeachment é um desejo crescente, mas seria uma solução ou um alívio momentâneo? Melhor deixá-lo ali, tropeçando nas próprias bravatas, até que a história o empurre para seu merecido ostracismo. O que resta de sua popularidade vai derretendo ao sol da própria incompetência, e, ao fim, talvez nem precise ser removido.

A democracia tem dessas ironias: às vezes, a punição perfeita é deixar o culpado terminar o serviço. No caso de Lula, significa vê-lo arrastar seu governo até o último suspiro de credibilidade, provando, com cada nova pesquisa, que a única coisa que ainda consegue construir é a rejeição de um país que já não aguenta mais.

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Golpes imaginários e quedas bem reais

Se o Brasil fosse uma novela, seria dessas que passam na sessão da tarde, cheia de dramas mal ensaiados e vilões imaginários. No episódio mais recente, Lula, nosso dramaturgo-mor, segue encenando sua eterna luta contra um golpe que nunca veio, enquanto o país despenca ladeira abaixo na classificação mundial, o dólar bate os 6 reais, e a economia dança um samba desengonçado. Golpes reais, ao que parece, são privilégio exclusivo do mercado.

Haddad, o eterno aluno esforçado que nunca entrega a lição certa, faz suas apresentações PowerPoint com gráficos coloridos e palavras otimistas, mas ninguém acredita. Nem ele, talvez. Enquanto isso, investidores fogem mais rápido que políticos em CPIs, e o pobre cidadão brasileiro assiste, desolado, ao real perder seu último resquício de dignidade. Um governante competente tentaria remediar o desastre. Lula, porém, prefere dar entrevista sobre conspirações invisíveis e relembrar suas glórias de outrora, quando o Brasil ainda acreditava em contos de fada.

E o golpe? Ah, o golpe! É o fantasma conveniente que justifica tudo: a inflação descontrolada, a fuga de capitais, o desespero na classe média. Lula grita "golpe" como quem espanta mosquitos, enquanto o país afunda em problemas bem mais concretos. Não é preciso um general de óculos escuros e botas pretas para derrubar este governo. O mercado e a incompetência já estão fazendo esse trabalho com eficiência exemplar.

O curioso é que, no meio desse caos, o povo brasileiro mantém sua resiliência – ou seria uma teimosia ingênua? Continuamos a acreditar que dias melhores virão, mesmo quando quem está no comando parece mais interessado em lutar contra moinhos de vento do que em construir qualquer coisa que preste.

Enquanto Lula se ocupa com seu teatro do absurdo, o dólar dispara, os preços sobem, e o Brasil descobre que a única coisa mais imaginativa do que os golpes inventados pelo governo são as desculpas que ele dá para sua própria incapacidade. Golpes podem ser fictícios, mas a conta do supermercado, infelizmente, não é.

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Janja, Musk e a ópera bufa do poder

 Não é todo dia que uma primeira-dama se lança na arena internacional para xingar um bilionário excêntrico que, com todas as suas idiossincrasias, mais parece saído de uma distopia cyberpunk. Mas eis que Janja, entre um post sobre cachorrinhos e um selfie no Alvorada, decide mirar sua indignação no homem que manda satélites ao espaço e administra uma das maiores redes sociais do mundo. O motivo? Vá entender. Talvez a gravidade do Brasil já não seja suficiente para segurar certas mentes em órbita.

Elon Musk, para quem ainda vive num barraco sem Wi-Fi, não é só um empresário. É o ícone do século XXI, amado e odiado em doses cavalares. Um visionário que às vezes erra o alvo, mas sempre está na vanguarda, agora envolvido até mesmo no governo de Donald Trump, reeleito para desfazer o caos americano com o mesmo estilo caótico que o caracterizou antes. O problema? Janja não leu o memo. E, como toda boa ativista de sofá, soltou seus impropérios sem medir as consequências. Decoro, afinal, é coisa de burguesia.

O mais irônico – e aqui não posso deixar de rir – é que, enquanto Janja grita contra Musk, seu marido, o sempre performático Lula, segue o baile de incompetências com uma elegância de paquiderme na loja de cristais. O governo desanda, a inflação não se estabiliza, e o Brasil patina na lama da mediocridade. Mas há tempo para tudo: ataques gratuitos, polêmicas desnecessárias e, claro, a velha tentativa de transformar a inépcia em virtude.

E que ninguém diga que Janja é só figura decorativa. Ao contrário, ela se tornou um espelho perfeito do governo que representa: barulhento, desajeitado e sem noção de prioridades. Musk, de sua torre de foguetes, certamente riu. Já o resto do mundo, perplexo, anota mais um capítulo da ópera bufa brasileira. Se o Brasil ainda fosse uma piada, pelo menos seria original. Agora, nem isso.

Por fim, resta a reflexão: como uma nação com tanto potencial consegue escolher líderes que, ao invés de comandar, transformam o país num reality show de segunda categoria? Janja grita, Lula se esquiva, e o Brasil assiste. E Musk? Ele orbita. Porque, ao contrário de nossos ilustres governantes, ele entende que o futuro não se constrói no grito. Se constrói na ação. Coisa rara por aqui.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Um alerta às pessoas de Direita

Deixa eu contar uma coisa para você:

Anos atrás eu me definia, politicamente, como 'Conservador de Direita'. Isso por causa dos valores pessoais que defendia (e defendo).

Entre esses valores, está a liberdade individual e a pouca influência do Estado na vida das pessoas.

Com o tempo, conheci o Libertarianismo, que abandona os valores morais do conservadorismo, mas amplia a liberdade pessoal e defende o Estado Mínimo, que praticamente não atua em nada, existindo apenas para manter a ordem e a paz.

Sendo mais extremo, me interessei pelo Anarcocapitalismo (Ancap), que prega a dissolução completa dos governos, onde viveríamos apenas pelas Leis de Mercado.

Também gosto do Objetivismo, filosofia de Ayn Rand, que prega o 'egoísmo racional', onde os homens devem ser recompensados por suas capacidades e nunca por suas necessidades. O Objetivismo também defende a liberdade individual e interferência mínima do Estado nas nações.

Hoje já não é possível me definir politicamente, pois sou um amálgama de todas essas posições acima. Não as levo a ferro e fogo, mas tento extrair o melhor de cada uma.

E POR QUE ESTOU FALANDO ISSO?


Porque você notará que, desde a Direita tradicional até o Anarcocapitalismo, todos pregam MENOS governo e MENOS atuação do Estado (seja na saúde, previdência, educação, economia, impostos, etc.).

Do outro lado desse espectro político está a Esquerda, que prega o oposto: MAIS controle do Estado sobre as pessoas, MAIS governo, MAIS impostos, etc. Disso culmina-se o Socialismo e o Comunismo, sempre abomináveis.

Assim, se você se diz ser de Direita, está defendendo um Estado menor, menos influente e com menos poder. Menos políticos, menos cargos, menos impostos, menos leis.

Por isso, quando você, de ‘Direita’, clama pela intervenção militar, pelo AI-5, pela volta da ditadura, você está transmitindo a seguinte mensagem: “Eu quero mais Estado! Eu quero que o Governo tome as decisões por mim! Eu quero menos liberdade!”

Você tem todo o direito de pensar assim. Mas só quero te mostrar que você não pode se dizer, em hipótese alguma, de Direita.

Aquela camiseta verde e amarela que você usa nas manifestações é, na verdade, vermelha.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Por que sou contra a democracia


Ao contrário do que muitos acreditam, ser contra a democracia não o torna, automaticamente, um apoiador de ditaduras e do totalitarismo. Só pensa assim quem não quer fazer um esforço racional para enxergar uma terceira via.

Muitos vendem a ideia de que a democracia é o suprassumo da civilização. Não é! A liberdade – incontestável e inegociável – é o ápice do que podemos definir como principal coluna de uma sociedade civilizada.

Defendo a liberdade acima de qualquer coisa – inclusive acima da igualdade (e se você não concorda comigo, deixo aqui um ótimo exercício de lógica e razão para sua mente, pois não darei uma explicação fácil).

A liberdade individual deve estar acima de tudo. E com ela, todo o peso da responsabilidade que isso traz. O indivíduo ė mais importante do que o coletivo, pois ele é a verdadeira ‘minoria’. Por isso mesmo ele não pode delegar a outrem as decisões mais importantes da sua vida. Não é o voto, mas a liberdade de tomar uma atitude racional e consciente, individualmente, que nos leva ao progresso. Qualquer coisa fora disso é apenas ‘gado’ e ‘manada’.

Os que tanto defendem a democracia tiveram que escolher entre Trump e Hillary; Bolsonaro e Haddad. Fantásticas opções, não? Aí os vencidos reclamam da escolha da maioria – sem se darem conta de que esta é justamente a base da democracia.

Só você sabe o que é bom para você mesmo (e não para o resto do mundo). E desde que isso não prejudique ou interfira na liberdade individual de outro, seja feliz com suas escolhas. Mas se você não sabe o que é bom pra você ou se faz escolhas erradas, encare que a responsabilidade é unicamente sua e aprenda com seus erros – nada de culpar o ‘sistema’, a ‘sociedade’ ou a ‘vida’.

Os bons líderes de grandes corporações são ‘facilitadores’ de suas equipes. Eles não estão lá para dar ordens ou mostrar o caminho, mas para ajudar sua equipe a funcionar removendo obstáculos, para que todos sejam ‘auto-gerenciáveis’. Um bom líder político, se seguisse esse pensamento, entenderia que não há maior obstáculo para uma nação do que o próprio Estado, cuja ineficiência traz miséria e sofrimento. Então, ele daria um passo para o lado, removeria esse obstáculo e deixaria a nação crescer sozinha, com liberdade.

E entenda que liberdade não significa libertinagem e nem que ‘tudo é permitido’. Leis são necessárias para que haja ordem e civilidade. A justiça é necessária para que haja o cumprimento das leis. Mas o governo e as eleições ‘democráticas’, estes em nada acrescentam ao mundo – ao contrário, trazem apenas desgosto e atraso.

“Ah, mas sem governo estaremos fadados à barbárie!” Será? Pois a Espanha, em 2016, passou um ano inteiro sem governo e teve um crescimento maior do que o da Alemanha, França e EUA.

“Ah, Emílio, mas é a Espanha, cultura europeia, etc.”, você dirá. Pois é, então o cerne da questão é justamente a responsabilidade e liberdade individual de cada cidadão, e não a democracia, certo? O povo soube fazer suas escolhas sozinho, sem governo, e teve um ano próspero. E se não souber, aprenderá pelo caminho da dor.

Por isso, criticar a democracia não me aproxima de déspotas. Ao contrário, me afasta dos que usam essa palavrinha para escravizar o povo – George Orwell entendeu bem essa questão.

Que mais não seja, democracia significa “poder do povo” (demo = povo; cracia = poder). Então, não existe democracia se não houver a liberdade para cada pessoa escolher individualmente como quer viver sua vida – se quer ter armas em casa ou não; se quer usar drogas ou não; etc.

A liberdade, meu caro, requer doses cavalares de responsabilidade, razão e lógica; e não de discursos emotivos e populistas de salvadores da pátria que surgem com a conversinha de lutar pelos direitos dos outros. É por isso que muitos preferem delegar as decisões da sua vida aos políticos do que encará-las de frente – dá muito mais trabalho.

Se o direito é seu, exerça sua liberdade individual de lutar por ele. Não delegue isso a ninguém, especialmente por meio de algo tão efêmero e inútil quanto o voto.

terça-feira, 19 de março de 2013

Declaração de remoção da sociedade

Declaração de remoção da sociedade
Após lutar contra conflitos internos em inúteis embates filosóficos, decidi me remover dessa piada de mal gosto chamada ‘sociedade’. Tomei essa decisão ao ver meus dilemas se dissolvendo à luz da razão, quando uma nova realidade se descortinou diante dos meus olhos, finalmente me fazendo entender que as pessoas no mundo desistiram de pensar – algo que demorei a aceitar.


E quando as pessoas deixam de pensar os aviões caem, prédios desabam, boates pegam fogo, corruptos são eleitos, analfabetos recebem diploma, o crime compensa, a virtude é destruída, ditadores viram heróis, o vício é elogiado, famílias se dissolvem, a felicidade é artificial e a esperança é só uma palavra.

Ao entender que as pessoas abandonaram a razão, a ideia do fim do mundo fez sentido como nunca fez em toda a minha vida. E surgiu um desespero incontrolável de não querer fazer parte disso. Impossível aceitar contradições sem valor, sem objetivo, sem cérebro.

Pensar é viver! Pensar é sentir! É mudar o mundo para melhor. Pensar é reconhecer o valor das coisas e das pessoas. Pensar é criar. É buscar sua própria felicidade e sentir orgulho do que você faz. Pensar é não ter culpa. Pensar é não aceitar a injustiça. Pensar é não exigir sacrifícios e nem se sacrificar. Pensar é enxergar o divino nos pequenos detalhes que levam às grandes obras.

E para sair desse mundo que não pensa precisei aceitar que sou egoísta e preconceituoso. Surpreso? Indignado? Você também é, apenas não admite. Aliás, desconfie de quem diz não ter preconceitos, são pessoas perigosas – geralmente políticos e artistas – que vivem da demagogia, pois não têm nenhuma outra virtude.

Mas meu preconceito não é racial, sexual nem nada assim – se você é pobre, rico, gay, hetero, branco, negro, religioso ou ateu... isso não significa nada. Seu mérito não está em quem você é, mas no que você produz, no que você cria, no valor do que você oferece ao mundo – no uso da sua mente. Se você não produz nada, não pode exigir nada.

Meu preconceito é contra ideias, não contra pessoas. Por isso resolvi me afastar de tudo o que vai contra meus valores morais e éticos. “Que valores são esses?” – você pergunta. São todos aqueles que, sob uma análise racional, considero certos, verdadeiros e bons. E não vou enumerá-los aqui, pois é preciso que você pense sozinho para descobrir e aceitar esses valores. Na análise racional dos seus conceitos individuais você chegará a conclusões semelhantes às minhas e verá que estou certo.

A razão sobre a emoção


Abandonei a emoção como métrica da vida – decisões emocionais resultam em desastres. A razão deve controlar a emoção. E minha emoção, por ser íntima e valiosa, reservo para quem e o quê a merece. Você pode achar isso frio e insensível, mas não é verdade. Apenas refinei meus sentimentos. Quando isso ocorre, você se torna mais exigente, mais seletivo e indiferente a muitas coisas. Por exemplo, sou imune a notícias de acidentes, tragédias, catástrofes e coisas assim – sério, não sinto absolutamente nada. Mas choro feito criança ao assistir este vídeo.

Deixei de me importar com os sentimentos das pessoas, mas não com as pessoas. Não entendeu? É simples: Os seus sentimentos são criados pelos seus pensamentos, e o que você pensa ou sente só diz respeito a você. Eu controlo meus sentimentos, não você. E você controla seus sentimentos, não eu.

Mas gosto de ver aqueles que amo sempre bem. Se posso fazer algo por eles, faço. Não por caridade, mas pelo prazer de vê-los felizes e fazendo a vida valer a pena. Mas só ajudo quem merece. “E como saber quem merece ou não?” – você dirá. Basta pensar! Você verá que é digno de ajuda quem não pede por ela, não se faz de vítima e nem apela para o emocional.

Até a fé exige razão, pois fé é a crença comprovada. Se você acredita porque alguém lhe disse para acreditar, sua fé é fraca e manipulável. Para seguir uma religião é preciso usar a razão: Se os atos do pregador são contrários à doutrina que ele prega, então é seu dever pensar e discordar.

É a falta do pensamento racional que leva as pessoas ao eterno conflito entre corpo e alma. Se você usa a razão e o discernimento, não terá essa aflição, pois entenderá que corpo e alma possuem um mesmo propósito: devem trabalhar juntos e livres de culpa. Só erra quem não pensa. Só erra quem espera que outros pensem por ele.

Nenhum papa, padre, pastor, rabino, guru, chefe, juiz, prefeito, governador ou presidente pode controlar sua vida. A sua vida só pode ser guiada por você. Fuja de discursos emocionados e enganadores de Obamas e Lulas. Você pode precisar de orientadores, nunca de líderes. Só precisa de líder quem não quer assumir a responsabilidade pelos seus atos. Quem desiste de pensar e tem medo de tomar decisões busca refúgio no líder (que leva a culpa pelos incompetentes).

Meu bem mais precioso é o meu tempo. E somente eu decido como usá-lo. E decidi usá-lo para minha felicidade, meus objetivos, minhas conquistas. E apesar do que você possa pensar, isso não significa satisfazer desejos irracionais ou prejudicar outras pessoas. É justamente o contrário! Por reconhecer que meu tempo é precioso e limitado, eu preciso usá-lo para os melhores propósitos possíveis, que podem ser sim egoístas – não no sentido pejorativo, mas como uma virtude racional (ou individualismo), que significa me preocupar com meus interesses particulares.

Ao entender isso você percebe que não pode perder tempo com besteiras. Seu tempo é valioso demais para se preocupar com banalidades – sejam coisas ou pessoas. Não há tempo para ódio, inveja, preguiça. É imprescindível enriquecer! Isso mesmo, enriquecer! Tornar-se rico material, cultural e espiritualmente. Você terá que escolher entre aprender algo novo ou ficar em frente à TV. Terá que pensar em como aumentar sua renda usando seu intelecto em vez de reclamar que nunca tem dinheiro. Terá que cultivar virtudes cada vez mais elevadas e puras para não se deixar arrastar pelo mal. Terá que abrir mão de muitas coisas para conquistar outras.

Ao concluir isso, menos vontade você terá de viver nessa ‘sociedade’ que exige tudo de você e não lhe dá nada em troca. Perceberá que não existe diferença entre pagar impostos e ser assaltado – ambos lhe privam de seus bens contra sua vontade para satisfazer parasitas. Perceberá que a falta de educação começa a incomodar mais. Perceberá que certos assuntos já não lhe agradam. Perceberá que a companhia de um livro é melhor do que a de certas pessoas. Perceberá que música e arte devem ser sublimes e não grosseiras. Perceberá que quanto mais incapaz a pessoa é, mas ela exigirá proteção por meio de leis. Perceberá que não vale a pena se esforçar por quem não se esforça.

Chega de sacrifícios


Quantas vezes você se matou por alguém, deixou de fazer o que gostaria para ajudar outra pessoa e depois quebrou a cara? Isso o que você fez tem um nome: Sacrifício. E apesar do que se acredita, sacrifício não é uma virtude, é burrice mesmo.

Se a ajuda que você oferece vai lhe prejudicar, isso é irracional. Você não é um mártir e o mundo não precisa de mais sacrifícios. Viver uma vida plena e feliz é uma forma de valorizar e reconhecer os sacrifícios que foram feitos no passado.

O sacrifício é diferente da privação temporária. Se você deixa de jantar fora para economizar e poder comprar algo que deseja, isso não é sacrifício, é o uso racional do seu dinheiro – você está indicando que aquilo que deseja é mais valioso do que os restaurantes.

Ajudar alguém não é sacrifício se a pessoa reconhece isso e faz valer o valor da ajuda. “Mas não é certo ajudar alguém sem esperar nada em troca?” – você perguntará. Sim, a ajuda deve ser voluntária, nunca uma obrigação. Mas é preciso saber quem ajudar, pois aí você entenderá, finalmente, o que significa “não dar pérolas aos porcos”. A melhor forma de ajudar a África, por exemplo, é parar de ajudar a África, como você pode ler aqui.

Aceite que você não pode salvar nem mudar o mundo. Não pode lutar contra o mal porque o mal sempre será mais forte. Não pode vencer o mal porque é o mal que elabora as leis. A luta sempre será injusta quando se usa as regras do adversário.

Por isso decidi parar de me sacrificar pelo mal. Decidi parar de alimentar aquilo cujo propósito é me destruir. Não posso deixar que esse parasita me obrigue a dar o sangue a troco de nada. E a única forma de fazer isso é matar o parasita de fome. Como? Simplesmente me removendo da sociedade e me recusando a fazer parte dessa festa insana.

Como se remover da sociedade?


É preciso mandar pro inferno quem diz que a verdade é relativa, que não existe certo e errado e que bem e mal são conceitos abstratos. Quem afirma isso são criminosos morais que visam destruir os valores mais sagrados que você tem. São seres do mais baixo nível, incapazes de se sustentar pelas próprias pernas e, invejosos, distorcem a realidade para justificar sua depravação, invertendo a moralidade, recompensando os maus e punindo os bons. E fazem isso sob o pretexto de lutar pelas asquerosas ‘causas sociais’, exigindo que o mundo lhes aceite pelo que são e não pelo que fazem.

Então, sim, é preciso escolher um lado. O caminho do meio nem sempre é prudente, mas é sempre o dos covardes. Ficar em cima do muro é assumir sua incapacidade de pensar. Sim, é sua obrigação diferenciar certo e errado, e você só vai conseguir isso pensando e discriminando. Sim, você deve fazer o bem e repudiar o mal em todas as circunstâncias, e isso às vezes lhe obrigará a se afastar de lugares e pessoas. Repudie quem diz “isso não tem problema”, “o mundo mudou”, “todo mundo faz”, etc. Você dirá: “Que exagero, não é preciso chegar a extremos assim.” Na verdade é preciso sim e, se você acha que não, isso só mostra como a covardia e a recusa de encarar a realidade controlam sua vida. Mas as mudanças devem ocorrer dentro de você, racionalmente. Se você deseja lutar por algo, que seja sempre pela liberdade acima de qualquer coisa.

Por isso resolvi me remover disso que chamam ‘sociedade’. Prefiro viver na civilização, onde as pessoas buscam soluções e não culpados. Onde criminosos não são “supostos”. Onde a pessoa é recompensada pelo que faz e não por quem é. Onde respeito, educação e honestidade são meras obrigações e não virtudes. Onde a verdade não resulta em processos judiciais. Onde o governo não reprime o sucesso e incentiva a incompetência. Onde o dinheiro compra produtos, não pessoas. Onde a felicidade é um meio e não um fim. Onde ninguém tem o direito de usar força física para tomar dos outros o que lhes é valioso ou de impor suas ideias sobre os outros. Onde as pessoas não percam tempo tentando salvar um mundo que não quer ser salvo.

Você deve estar se perguntando onde é esse lugar e quando vou me mudar para lá. Vamos por partes. Há um ditado que diz: “Seja você a mudança que deseja ver no mundo”. É isso que farei. Não posso mudar o mundo, mas posso mudar a mim mesmo e ser o exemplo daquilo que acredito. Mudar de lugar por causa dos problemas é levar os problemas para outro lugar.

Talvez eu não esteja em São Paulo no futuro. Quem sabe? Mas antes da mudança física é preciso a mudança da consciência. Quando a minha mudança interior estiver completa e refletida naqueles que amo, aí será a hora de mudar fisicamente. Não para fugir ou criar um 'exército de homens honrados', como um amigo sugeriu certa vez neste texto, mas para viver. Os parasitas que fiquem com as migalhas que eu deixar para trás.

Sim, eu quero fazer a vida valer a pena. Eu quero honrar aqueles que vieram antes de mim e fizeram por merecer. Eu quero ser a mudança, não no mundo, mas em mim mesmo. E sim, eu quero mais dinheiro, mais conforto, mais paz e mais segurança; e quero que aqueles que amo estejam ao meu lado para desfrutar comigo. Mas quero conquistar tudo isso pelo preço do meu esforço, nunca da minha alma.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Discurso sobre o Dinheiro

Discurso sobre o Dinheiro
Discurso de Francisco D’Anconia a respeito do dinheiro. Extraído do livro A Revolta de Atlas (Atlas Shrugged), de Ayn Rand. É longo, mas pode mudar sua forma de enxergar algumas coisas:

Discurso sobre o Dinheiro (Ayn Rand)


- Então o senhor acha que o dinheiro é a origem de todo o mal? O senhor já se perguntou qual é a origem do dinheiro? O dinheiro é um instrumento de troca, que só pode existir quando há bens produzidos e homens capazes de produzi-los. O dinheiro é a forma material do princípio de que os homens que querem negociar uns com os outros precisam trocar um valor por outro. O dinheiro não é o instrumento dos pidões, que pedem produtos por meio de lágrimas, nem dos saqueadores, que os levam à força. O dinheiro só se torna possível através dos homens que produzem. É isto que o senhor considera mau? Quem aceita dinheiro como pagamento por seu esforço só o faz por saber que ele será trocado pelo produto de esforço de outrem. Não são os pidões nem os saqueadores que dão ao dinheiro o seu valor. Nem um oceano de lágrimas nem todas as armas do mundo podem transformar aqueles pedaços de papel no seu bolso no pão de que você precisa para sobreviver. Aqueles pedaços de papel, que deveriam ser ouro, são penhores de honra; por meio deles você se apropria da energia dos homens que produzem. A sua carteira afirma a esperança de que em algum lugar no mundo a seu redor existem homens que não traem aquele princípio moral que é a origem do dinheiro. É isso que o senhor considera mau?

- Já procurou a origem da produção? Olhe para um gerador de eletricidade e ouse dizer que ele foi criado pelo esforço muscular de criaturas irracionais. Tente plantar um grão de trigo sem os conhecimentos que lhe foram legados pelos homens que foram os primeiros a fazer isso. Tente obter alimentos usando apenas movimentos físicos, e descobrirá que a mente do homem é a origem de todos os produtos e de toda a riqueza que já houve na terra.

- Mas o senhor diz que o dinheiro é feito pelos fortes em detrimento dos fracos? A que força se refere? Não é à força das armas nem dos músculos. A riqueza é produto da capacidade humana de pensar. Então o dinheiro é feito pelo homem que inventa um motor em detrimento daquele que não o inventaram? O dinheiro é feito pela inteligência em detrimento dos estúpidos? Pelos capazes em detrimento dos incompetentes? Pelos ambiciosos em detrimento dos preguiçosos? O dinheiro é feito – antes de poder ser embolsado pelos pidões e pelos saqueadores – pelo esforço honesto de todo homem honesto, cada um na medida de sua capacidade. O homem honesto é aquele que sabe que não pode consumir mais do que produz. Comerciar por meio do dinheiro é o código dos homens de boa vontade. O dinheiro baseia-se no axioma de que todo homem é proprietário de sua mente e de seu trabalho. O dinheiro não permite que nenhum poder prescreva o valor do seu trabalho, senão a escolha voluntária do homem que está disposto a trocar com você o trabalho dele. O dinheiro permite que você obtenha em troca dos seus produtos e do seu trabalho aquilo que esses produtos e esse trabalho valem para os homens que os adquirem, e nada mais que isso. O dinheiro só permite os negócios em que há benefício mútuo segundo o juízo das partes voluntárias.

- O dinheiro exige o reconhecimento de que os homens precisam trabalhar em benefício próprio, e não em detrimento de si próprio; para lucrar, não para perder; de que os homens não são bestas de carga, que não nascem para arcar com o ônus da miséria; de que é preciso oferecer-lhes valores, não dores; de que o vínculo comum entre os homens não é a troca de sofrimento, mas a troca de bens. O dinheiro exige que o senhor venda não a sua fraqueza à estupidez humana, mas o seu talento à razão humana; exige que o senhor compre não o pior que os outros oferecem, mas o melhor que o seu dinheiro pode comprar. E, quando os homens vivem do comércio – com a razão e não à força, como árbitro irrecorrível –, é o melhor produto que sai vencendo, o melhor desempenho, o homem de melhor juízo e maior capacidade – e o grau da produtividade de um homem é o grau de sua recompensa. Este é o código da existência, cujo instrumento e símbolo é o dinheiro. É isto que o senhor considera mau?

- Mas o dinheiro é só um instrumento. Ele pode levá-lo aonde o senhor quiser, mas não pode substituir o motorista do carro. Ele lhe dá meios de satisfazer seus desejos, mas não lhe cria desejos. O dinheiro é o flagelo dos homens que tentam inverter a lei da causalidade – os homens que tentam substituir a mente pelo sequestro dos produtos da mente. O dinheiro não compra felicidade para o homem que não sabe o que quer; não lhe dá um código de valores se ele não tem conhecimento a respeito de valores, e não lhe dá um objetivo, se ele não escolhe uma meta. O dinheiro não compra inteligência para o estúpido, nem admiração para o covarde, nem respeito para o incompetente. O homem que tenta comprar o cérebro de quem lhe é superior para servi-lo, usando dinheiro para substituir seu juízo, termina vítima dos que lhe são inferiores. Os homens inteligentes o abandonam, mas os trapaceiros e vigaristas correm a ele, atraídos por uma lei que ele não descobriu: o homem não pode ser menor do que o dinheiro que ele possui. É por isso que o senhor considera o dinheiro mau? Só o homem que não precisa da fortuna herdada merece herdá-la – aquele que faria sua fortuna de qualquer modo, mesmo sem herança. Se um herdeiro está à altura de sua herança, ela o serve; caso contrário, ela o destrói. Mas o senhor diz que o dinheiro corrompeu. Foi mesmo? Ou foi ele que corrompeu seu dinheiro? Não inveje um herdeiro que não vale nada; a riqueza dele não é sua, e o senhor não teria tirado melhor proveito dela. Não pense que ela deveria ser distribuída; criar cinquenta parasitas em lugar de um só não reaviva a virtude morta que criou a fortuna. O dinheiro é um poder vivo que morre quando se afasta de sua origem. O dinheiro não serve à mente que não está a sua altura. É por isso que o senhor o considera mau?

- O dinheiro é o seu meio de sobrevivência. O veredicto que o senhor dá à fonte de seu sustento é o veredicto que o senhor dá à sua própria vida. Se a fonte é corrupta, o senhor condena a sua própria existência. O seu dinheiro provém da fraude? Da exploração dos vícios e da estupidez humana? O senhor o obteve servindo aos insensatos, na esperança de que eles lhe dessem mais do que sua capacidade merece? Baixando seus padrões de exigência? Fazendo um trabalho que o senhor despreza para compradores que o senhor não respeita? Neste caso, o seu dinheiro não lhe dará um momento sequer de felicidade. Todas as coisas que o senhor adquirir serão não um tributo ao senhor, mas uma acusação; não uma realização, mas um momento de vergonha. Então o senhor dirá que o dinheiro é mau. Mau porque ele não substitui seu amor-próprio? Mau porque ele não permite que o senhor aproveite e goze sua depravação? É este o motivo de seu ódio ao dinheiro? O dinheiro será sempre um efeito, e nada jamais o substituirá na posição de causa. O dinheiro é produto da virtude, mas não dá virtude nem redime vícios. O dinheiro não lhe dá o que o senhor não merece, nem em termos materiais nem em termos espirituais. É este o motivo de seu ódio ao dinheiro? Ou será que o senhor disse que é o amor ao dinheiro que é a origem de todo o mal?

- Amar uma coisa é conhecer e amar a sua natureza. Amar o dinheiro é conhecer e amar o fato de que o dinheiro é criado pela melhor força que há dentro do senhor, a sua chave-mestra que lhe permite trocar o seu esforço pelo esforço dos melhores homens que há. O homem que venderia a própria alma por um tostão é o que mais alto brada que odeia o dinheiro – e ele tem bons motivos para odiá-lo. Os que amam o dinheiro estão dispostos a trabalhar para ganhá-lo. Eles sabem que são capazes de merecê-lo. Eis uma boa pista para saber o caráter dos homens: aquele que amaldiçoa o dinheiro o obtém de modo desonroso; aquele que o respeita o ganha honestamente. Fuja do homem que diz que o dinheiro é mau. Essa afirmativa é o estigma que identifica o saqueador, assim como o sino indicava o leproso. Enquanto os homens viverem juntos na terra e precisarem de um meio para negociar, se abandonarem o dinheiro, o único substituto que encontrarão será o cano do fuzil.

- O dinheiro exige do senhor as mais elevadas virtudes, se o senhor quer ganhá-lo ou conservá-lo. Os homens que não têm coragem, orgulho nem amor-próprio, que não têm convicção moral de que merecem o dinheiro que têm e não estão dispostos a defendê-lo como defendem suas próprias vidas, os homens que pedem desculpas por serem ricos – esses não vão permanecer ricos por muito tempo. São presa fácil para os enxames de saqueadores que vivem debaixo das pedras durante séculos, mas que saem do esconderijo assim que farejam um homem que pede perdão pelo crime de possuir riquezas. Rapidamente eles vão livrá-lo dessa culpa. Então o senhor verá a ascensão dos homens que vivem uma vida dupla – que vivem da força, mas dependem dos que vivem do comércio para criar o valor do dinheiro que eles saqueiam. Esses homens vivem pegando carona com a virtude. Numa sociedade onde há moral eles são os criminosos, e as leis são feitas para proteger os cidadãos contra eles. Mas quando uma sociedade cria uma categoria de criminosos legítimos e saqueadores legais – homens que usam a força para se apossar da riqueza de vítimas desarmadas – então o dinheiro se transforma no vingador daqueles que o criaram. Tais saqueadores acham que não há perigo em roubar homens indefesos, depois que aprovam uma lei que os desarme. Mas o produto de seu saque acaba atraindo outros saqueadores, que os saqueiam como eles fizeram com os homens desarmados. E assim a coisa continua, vencendo sempre não o que produz mais, mas aquele que é mais implacável em sua brutalidade. Quando o padrão é a força, o assassino vence o batedor de carteiras. E então esta sociedade desaparece, em meio a ruínas e matanças.

- Quer saber se este dia se aproxima? Observe o dinheiro. O dinheiro é o barômetro da virtude de uma sociedade. Quando há comércio não por consentimento, mas por compulsão – quando para produzir é necessário pedir permissão a homens que nada produzem – quando o dinheiro flui para aqueles que não vendem produtos, mas influência – quando os homens enriquecem mais pelo suborno e favores do que pelo trabalho, e as leis não protegem quem produz de quem rouba, mas quem rouba de quem produz – quando a corrupção é recompensada e a honestidade vira um sacrifício – pode ter certeza de que a sociedade está condenada. O dinheiro é um meio de troca tão nobre que não entra em competição com as armas e não faz concessões à brutalidade. Ele não permite que um país sobreviva se metade é propriedade, metade é produto de saques. Sempre que surgem destruidores, a primeira coisa que eles destroem é o dinheiro, pois o dinheiro protege os homens e constitui a base da existência moral. Os destruidores se apossam do ouro e deixam em troca uma pilha de papel falso. Isto destrói todos os padrões objetivos e põe os homens nas mãos de um determinador arbitrário de valores. O dinheiro era um valor objetivo, equivalente à riqueza produzida. O papel é uma hipoteca sobre riquezas inexistentes, sustentado por uma arma apontada para aqueles que têm de produzi-las. O papel é um cheque emitido por saqueadores legais sobre uma conta que não é deles: a virtude de suas vítimas. Cuidado que um dia o cheque é devolvido, com o carimbo: ’sem fundos’.

- Se o senhor faz do mal o meio de sobrevivência, não é de se esperar que os homens permaneçam bons. Não é de se esperar que eles continuem a seguir a moral e sacrifiquem suas vidas para proveito dos imorais. Não é de se esperar que eles produzam, quando a produção é punida e o saque é recompensado. Não pergunte quem está destruindo o mundo: é o senhor. O senhor vive no meio das maiores realizações da civilização mais produtiva do mundo e não sabe por que ela está ruindo a olhos vistos, enquanto o senhor amaldiçoa o sangue que corre pelas veias dela – o dinheiro. O senhor encara o dinheiro como os selvagens o faziam, e não sabe por que a selva está brotando nos arredores das cidades. Em toda a história, o dinheiro sempre foi roubado por saqueadores de diversos tipos, com nomes diferentes, mas cujo método sempre foi o mesmo: tomar o dinheiro à força e manter os produtores de mãos atadas, rebaixados, difamados, desonrados. Esta afirmativa de que o dinheiro é a origem do mal, que o senhor pronuncia com tanta convicção, vem do tempo em que a riqueza era produto do trabalho escravo – e os escravos repetiam os movimentos que foram descobertos pela inteligência de alguém e durante séculos não foram aperfeiçoados.

- Enquanto a produção era governada pela força, e a riqueza era obtida pela conquista, não havia muito que conquistar. No entanto, no decorrer de séculos de estagnação e fome, os homens exaltavam os saqueadores, como aristocratas da espada, aristocratas de estirpe, aristocratas da tribuna, e desprezavam os produtores, como escravos, mercadores, lojistas – industriais. Para a glória da humanidade, houve, pela primeira e única vez na história, uma nação de dinheiro – e não conheço elogio maior aos Estados Unidos do que esse, pois ele significa um país de razão, justiça, liberdade, produção, realização. Pela primeira vez, a mente humana e o dinheiro foram libertados, e não havia fortunas adquiridas pela conquista, mas só pelo trabalho, e ao invés de homens da espada e escravos, surgiu o verdadeiro criador da riqueza, o maior trabalhador, o tipo mais elevado de ser humano – o self-made man – o industrial americano. Se me perguntarem qual a maior distinção dos americanos, eu escolheria – porque ela contém todas as outras – o fato de que foram os americanos que criaram a expressão “fazer dinheiro”. Nenhuma outra língua, nenhum outro povo jamais usara estas palavras antes, e sim “ganhar dinheiro”; antes, os homens sempre encaravam a riqueza como uma quantidade estática, a ser tomada, pedida, herdada, repartida, saqueada ou obtida como favor. Os americanos foram os primeiros a compreender que a riqueza tem que ser criada. A expressão ‘fazer dinheiro’ resume a essência da moralidade humana. Porém foi justamente por causa desta expressão que os americanos eram criticados pelas culturas apodrecidas dos continentes de saqueadores.

- O ideário dos saqueadores fez com que pessoas como o senhor passassem a encarar suas maiores realizações como um estigma vergonhoso, sua prosperidade como culpa, seus maiores filhos, os industriais, como vilões, suas magníficas fábricas como produto e propriedade do trabalho muscular, o trabalho de escravos movidos a açoites, como na construção das pirâmides do Egito. As mentes apodrecidas que dizem não ver diferença entre o poder do dólar e o poder do açoite merecem aprender a diferença na sua própria pele, que, creio eu, é o que vai acabar acontecendo. Enquanto pessoas como o senhor não descobrirem que o dinheiro é a origem de todo bem, estarão caminhando para sua própria destruição. Quando o dinheiro deixa de ser o instrumento por meio do qual os homens lidam uns com os outros, os homens se tornam os instrumentos dos homens. Sangue, açoites, armas – ou dólares. Façam sua escolha – não há outra opção – e o tempo está esgotando.

Quais são seus planos para este ano? Reclamar ou gerar riqueza?

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A Fábula da Galinha

A Fábula da Galinha
Esta é uma fábula muito popular nos países de língua inglesa, onde é conhecida como The Little Red Hen, que assim como a fábula A Formiga e a Cigarra, visa ensinar o valor do trabalho e da previdência às crianças. Coisas que os esquerdistas são incapazes de entender. Existem muitas versões diferentes desta fábula, mas aqui está uma das que eu gosto mais. Vamos à ela:

A Fábula da Galinha


Era uma vez uma galinha ruiva que morava numa fazenda com seus três amigos: O cão preguiçoso, o gato dorminhoco e o pato barulhento. Um dia ela encontrou alguns grãos de trigo no quintal e decidiu chamar seus amigos para ajudar a plantá-los.

"Quem me ajuda a plantar este trigo?" -- perguntou a galinha.

“Eu não”  --  latiu o cão preguiçoso.
“Nem eu” -- miou o gato dorminhoco.
“Tô fora!” -- grasnou o pato barulhento.

"Então eu planto sozinha" -- respondeu a galinha. E assim ela fez.

Logo o trigo começou a brotar e quando a época da colheita estava próxima, ela voltou a chamar seus amigos para ajudá-la.

“Quem vai me ajudar a colher o trigo?" -- perguntou a galinha.

“Eu não, isso cansa --” latiu o cão preguiçoso.
“Nem eu, vou dormir” -- miou o gato dorminhoco.
“Eu não ganho nada com isso. Tô fora!” -- grasnou o pato barulhento.

"Então eu colho sozinha" -- respondeu a galinha. E assim ela fez.

Sabendo que seus amigos não iriam colaborar, a galinha levou sozinha o trigo para o moinho e o transformou em farinha para preparar o pão, mas mesmo assim ela perguntou: "Quem vai me ajudar a preparar o pão?"

“Eu não, se alguém souber que eu trabalhei perco a bolsa-ração” -- latiu o cão preguiçoso.
“Nem eu, recebo pensão e seguro desemprego, vou dormir” -- miou o gato dorminhoco.
“Você não vai me pagar hora extra! Tô fora!” -- grasnou o pato barulhento.

"Então eu preparo sozinha." -- respondeu a galinha. E assim ela fez.

Quando os pães ficaram prontos os outros animais vieram pedir um pedaço para a galinha ruiva, que respondeu:

"Não, eu fiz os pães sozinha e sozinha vou comê-los." E assim ela fez.
Assim termina a fábula original, a galinha come os pães e os outros animais vagabundos ficam sem nada, mas aqui no Brasil o final seria bem diferente:

Após se negar a dividir os pães, a galinha começou a ser insultada pelos outros animais.

“Maldita galinha burguesa! Exijo direitos iguais!” -- latiu o cão preguiçoso.
“Que falta de solidariedade! Sua egoísta insensível! Não sente pena dos que têm fome?” -- miou o gato dorminhoco.
“Gananciosa! Capitalista! Exploradora! Eu vou tomar seus pães à força!” -- grasnou o pato barulhento.

Com a confusão a galinha resolveu chamar a polícia e, junto com a polícia, veio um burocrata do governo dizendo que ela era obrigada a dividir os pães com o governo e com os animais que nunca a ajudaram em nada.

"Mas eu fiz tudo sozinha! Plantei o trigo, colhi, fiz a farinha, assei os pães e ninguém me ajudou em nada!" -- reclamou a galinha.

"Sim, mas você fez tudo isso dentro desta fazenda e aqui não somos capitalistas, todos devem dividir seus lucros com os demais para manutenção da paz. Isso é justiça social" -- disse o burocrata.

Depois do pequeno discurso do burocrata os demais animais comemoravam enquanto a polícia confiscava os pães da galinha ruiva:

"Bem feito! Ficou sem nada! Se ferrou galinha elitista!" -- gritavam histericamente.

De posse dos pães o governo ficou com a maior parte, deixando apenas algumas fatias duras para os animais vagabundos, que comemoraram a expropriação dos pães da galinha, aplaudindo a adoção do sistema de justiça social que lhes garantia migalhas.

Entretanto, depois de algum tempo eles começaram a se questionar porque nunca mais a galinha voltou a fazer pão...

Fonte: Mídia Livre

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

A diferença entre emprego e trabalho

Um pequeno conto para se refletir:

A diferença entre emprego e trabalho

Um empresário americano, do ramo de construções, passeava por uma estrada, na Rússia comunista, quando avistou várias pessoas no que parecia ser uma obra. O empresário parou, desceu do carro e observou a cena: vários homens, munidos de pás, trabalhavam intensamente numa escavação. O empresário dirigiu-se ao homem que julgou ser o mestre de obras e perguntou:

– O que vocês estão construindo?
– Estamos escavando um túnel, senhor. O governo quer fazer um grande túnel nessa região.
– E para que tanto trabalho braçal? Eu posso lhes vender duas escavadeiras que fariam todo o trabalho em muito menos tempo e por um preço bem menor do que a mão-de-obra atual.
– De jeito nenhum! E o que aconteceria com o emprego de todos esses homens? Preferimos manter do jeito que está.
– Ora, eu achei que o objetivo de vocês era construir um túnel, e não justificar o emprego de tanta gente. Se esse é o caso, melhor lhes tirarem as pás e lhes darem colheres.


sábado, 20 de janeiro de 2007

Turismo intelectual: Minha conversa com Janer Cristaldo

Janer Cristaldo

Cansado de ler obras de ficção e buscando por literaturas mais contemporâneas, tomei conhecimento, no final de 2004, das crônicas do escritor e jornalista Janer Cristaldo. Dono de uma inteligência e erudição únicas, Janer discorre de forma divertida em seus textos sobre variados assuntos, comumente focando-se em política e suas variações. Até então eu detestava política. Só depois que passei a ler seus artigos é que entendi melhor o assunto e comecei a interpretar notícias, em vez de engoli-las, e vi que há muito a ser lido nas entrelinhas.

Cristaldo foi, por assim dizer, o pivô para que eu reavaliasse minha maneira de escrever (e pensar). Antes, apenas despejava aqui pensamentos aleatórios. Só quando me propus a escrever textos mais longos é que percebi a influência de Janer e de outros articulistas semelhantes. Influência, bem entendido, não significa imitar, mesmo porque há assuntos abordados por ele dos quais divirjo completamente.

Em meados de 2005 enviei-lhe um e-mail comentando uma de suas crônicas. Nem esperava resposta, mas ela veio. Começamos, então, a trocar alguns e-mails - bem poucos, na verdade, pois não queria incomodar.

Durante a Bienal do Livro, em 2006, Cristaldo publicou um artigo mencionando meu blog, o que aumentou bastante o número de visitantes. Ao agradecer-lhe a citação, veio o convite: "precisamos confraternizar um dia desses". Infelizmente nunca me sobrava tempo e o encontro só veio a acontecer na última semana de 2006.

Marcamos, então, em um bar de Higienópolis. Chovia naquele fim de tarde, mas a temperatura estava agradável. Escolhemos uma das mesas na calçada para nos acomodar e lá ficamos. Foram quase quatro horas de uma conversa como há muito eu não tinha.

Janer Cristaldo é o tipo de pessoa que possui uma enorme bagagem de vida, disposto a compartilhá-la com quem se sentar à mesa para ouvi-lo. Conversamos de tudo um pouco, mas eu estava interessado mesmo em suas experiências de viagens. Tenho uma fascinação pela Europa e praticamente tudo o que diz respeito ao Velho Mundo, e Janer morara um tempo em Estocolmo, além de viajar freqüentemente para o continente europeu.

Conhecer outro país através dos olhos de alguém que sabe descrever seus ares, odores e cores é, talvez, mais interessante do que realmente estar nesse país. Em certo ponto da conversa, Cristaldo me perguntou se já estivera na Europa. Diante da minha negativa, disse ele: - Invejo-te! - Como assim? - perguntei, e a resposta: "Quando partires para lá, tu ainda terás a emoção e ansiedade da viagem, de chegar a lugares novos e vislumbrar paisagens e pessoas diferentes". E continua: "Essa emoção eu a perdi, hoje conheço Paris melhor do que São Paulo, e ir para lá já não me desperta a sensação de novidade". De fato, um ponto de vista interessante.

"Qual o país mais belo da Europa?", perguntei. Sem pensar, respondeu: "Noruega, sem dúvida! Os fiordes oferecem paisagens inigualáveis com gelo, montanhas e mar unindo-se em vistas espetaculares". E o melhor para se viver? Espanha.

As descrições dos caminhos percorridos por Cristaldo só aumentaram minha vontade de conhecer todos aqueles lugares. Perambular pelas ruas de Viena, saborear os famosos pães franceses com patês e vinhos, respirar os ares do berço da arte. Conhecer a Europa é uma das minhas metas depois de casar. Janer prontificou-se a dar-me dicas de roteiro e hospedagem.

Para Janer, só se conhece um país freqüentando seus bares. "Você não conhece um país visitando museus, precisa ir a bares e restaurantes para ter contato real com as pessoas". Cristaldo também gosta de experimentar as culinárias exóticas de cada país, mencionando um famoso peixe enlatado da Noruega que, segundo ele, tem cheiro e gosto de coisa podre, mas, "se uma nação inteira gosta, é porque deve ser bom".

De repente, uma senhora, conhecida de Janer, juntou-se a nós para pedir conselhos: - Ai, Janer! - dizia ela - estou com medo, o que vai acontecer agora que Lula foi reeleito? - Nada - respondeu ele - deviam se preocupar na época em que ele foi eleito, agora que lhe deram mais quatro anos, que ele fique por lá até o fim. Mais alguns minutos de papo e a senhora nos deixou, já menos apreensiva. Falamos bastante de política, mas eu me concentrava na Europa.

Apreciador de boa música, Cristaldo citou preferências como Mozart e disse detestar Wagner. Mencionou alguns intérpretes da música francesa, italiana e norueguesa. Também mostrou-se fã da música "mariachi" e da cantora Inezita Barroso (!). Rock ou música americana? Nem pensar.

Aproveitei para perguntar-lhe se conhecia os Estados Unidos. "Sim", respondeu, "para não dizer que sou preconceituoso, estive lá uma vez. Não gostei. Os prédios altos da 5ª Avenida causam um vento encanado muito forte"!

E o misterioso Oriente? Também não. "Se você quiser ver as pirâmides do Egito", disse, "são bonitas e valem o contato com a História, mas o Cairo é horrível! Quente e sujo! Prefiro o conforto dos hotéis europeus". Japão, China e afins também nunca despertaram interesse em Janer, mas uma cidadezinha perto do Pólo Norte chamou sua atenção.

"Gostaria de conhecer o bar dessa cidade, que possui 1500 habitantes e 3000 ursos! As pessoas precisam andar armadas o dia todo caso surja um urso intrometido". Perguntei-lhe o que tinha para se fazer num lugar desses: "Nada! Não há nada para fazer, e é exatamente por isso que ainda não fui para lá, pois nunca viajo sozinho e é difícil convencer uma companhia a partilhar tal aventura".

A conversa desenrolou-se por outros temas: literatura, arte, religião, comportamento. Chegamos ao ponto de esgotar certos assuntos e ficarmos apenas parados, bebendo e olhando o movimento na rua.

Este texto renderia muitos parágrafos mais se eu fosse comentar detalhadamente essas quatro horas de conversa. Fiz uma verdadeira viagem intelectual através das descrições e opiniões de Janer. Um contato enriquecedor, sem dúvida.

Ao levantarmos para ir embora, notei um belo restaurante do outro lado da rua. "É muito bom", afirmou Cristaldo, "aos sábados servem uma feijoada excelente aí". Eu disse que viria experimentar um dia desses, e ele me pediu que marcasse a data e, se quisesse companhia, era só chamar.

Sem dúvida, caro Janer, sem dúvida. E desta vez, tentarei marcar para antes do fim do ano.

Atualização 27/10/2014


Infelizmente este reencontro nunca aconteceu. Acabei sempre adiando a outra visita ao Janer e, com o tempo, ele adoeceu, o que tornou tudo ainda mais difícil. Chegamos a trocar mais alguns e-mails nesse meio tempo. Mas no dia 27/10/2014, o Brasil perdia uma de suas maiores mentes lúcidas e inteligentes e, na minha opinião, o maior cronista que este país já teve.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2004

Welcome to Brazil

Todos os dias somos confrontados por notícias que incentivam a tão falada "luta de classes". Pobres x ricos, patrões x empregados, homens x mulheres, negros x brancos e por aí vai. Basta acessar a página inicial de qualquer website de notícias ou mesmo abrir o seu jornal favorito para se deparar com esse tipo de "desinformação". Algumas vezes de forma subliminar, outras, mais descaradas. O importante é disseminar o ódio.

Os ingênuos caem no "conto do vigário". Acham que a desigualdade do país é culpa do "sistema" e da "burguesia". Se perguntarmos à maioria o porquê desse ódio, quase ninguém saberá responder. Não percebem que o Estado é o maior causador da desigualdade, e não as empresas. De forma grosseira, podemos explicar que a empresa visa o lucro por intermédio da venda de seus produtos. Quanto mais ela vende, melhor. E, para vender mais, são necessários mais compradores, ou seja, pessoas com poder aquisitivo elevado, dispostas a trocar seu dinheiro por algum produto. É interessante às empresas, portanto, que o país tenha uma economia forte e estável, sem pobreza. É aí que reside o erro de muitas pessoas ao acreditarem que os governos são os "salvadores da pátria", enquanto os empresários são inescrupulosos. Não é bem assim. Ter um Estado que monopoliza tudo é regressar aos tempos de feudos e barbáries.

Lógico que existem centenas de empresários mercenários, que justificam certas reclamações - eu mesmo conheci alguns pessoalmente. A esses, nada mais correto do que manifestar nosso repúdio. Fazer uma empresa funcionar requer muito mais do que vender, é necessário beneficiar seus funcionários e fornecer condições apropriadas de trabalho. Mas e quando a ganância e a intenção de lucro deixam o setor privado para se estabelecerem confortavelmente no Estado, criando víboras insaciáveis? Relato abaixo um exemplo.

No final do ano 2000, fui intérprete de um executivo suíço de uma multinacional, fabricante de aceitadores de cédulas e moedas - desses encontrados em máquinas de refrigerantes, salgadinhos e outros. Pude comprovar a qualidade dessas máquinas, que aceitavam notas rasgadas, molhadas e envelhecidas, mas recusavam qualquer tipo de falsificação, além de dar o troco corretamente. Pois bem, agendamos uma reunião com a diretoria do Metrô de São Paulo, a fim de oferecer ao governo o equipamento para ser instalado nas máquinas que vendem bilhetes.

Durante a reunião, Maurice, o suíço, fez o possível e o impossível para demonstrar as vantagens de se utilizar um aparelho altamente seguro tanto para o Metrô quanto para os usuários. A qualidade do produto não deixava dúvidas, e seu preço era muito bom. Porém, enquanto o suíço falava, fui percebendo diversas trocas de olhares entre os diretores do Metrô. Ao término da apresentação, após alguns questionamentos técnicos, cogitou-se a possibilidade de o Metrô utilizar um equipamento melhor em suas máquinas. A negação da diretoria foi unânime.

Em alto e bom som, eu os ouvi dizerem: "Nós não nos importamos se os usuários do metrô passam duas horas na fila ou dois segundos numa máquina, contanto que comprem os bilhetes. Se a máquina não funcionar direito, eles vão para os guichês". E ainda: "Já temos uma empresa que instala esses aceitadores de cédulas. Não é tão bom como o de vocês, mas não estamos preocupados com a qualidade. O metrô é essencial para a população e não serão essas máquinas que atrairão mais usuários".

Traduzir aquilo foi, para mim, muito complicado. A reunião terminou logo após esse diálogo. Minutos depois, no elevador, Maurice, com o rosto perplexo e os olhos cheios de indagações, me perguntou como era possível que representantes do governo não se preocupassem com o bem estar da população. "Se provamos que nosso equipamento é melhor, mais seguro e mais barato, por que insistem em rejeitar a qualidade e utilizar aparelhos inferiores?" - questionou-me o suíço. Maurice podia ser um excelente negociador, mas aparentemente não estava acostumado com as falcatruas brasileiras. Ficou óbvio, para mim, que, naquela mesa de reunião, todos, com exceção de Maurice e eu, estavam recebendo dinheiro para favorecer a outra empresa "inferior", seja ela qual fosse. Diante dos olhos indagadores do suíço, preferi omitir o que me passava pela cabeça e deixei escapar apenas três palavrinhas mágicas: "Welcome to Brazil!"